segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

E joana conclui:

Eles pensam que a maré vai, mas nunca volta. Até agora eles estavam comandando o meu destino e eu fui, fui... fui recuando, recolhendo fúrias. Hoje sou onda solta, tão forte, quanto eles me imaginam fraca. Quando eles virem invertida a correnteza, quero ver se eles resistem a surpresa e quero saber como que eles reagem a ressaca.

Um momento...

Tudo está na natureza, encadeado e em movimento, cuspe, veneno, tristeza, carne, moinho, lamento, ódio, dor, cebola, coentro, gordura, sangue, frieza. Isso tudo está no centro de uma mesa e estranha mesa. Misture cada elemento, uma pitada de dor, uma colher de fermento e uma gota de terror. O suco dos sentimentos, raiva, medo ou desamor produz novos condimentos, lágrima, pus e suor. Mas inverta os segmentos, intensifique a mistura, tem que ter ódio, lagrimento, sangalho com tristezura, carmento, redemoinho. Remexa tudo por dentro, passe tudo num moinho. Moa a carne, o sangue, o coentro. Chore e envenene a gordura. Você terá um guento, uma baba grossa, escura, essência do meu tormento e molho de uma fritura de paladar violento, que engolindo, a criatura repara no meu sofrimento. Morte lenta... e segura.